EL NEGRO DEL BLANCO

Band :
Format : CD

El Negro del Blanco é o disco de música instrumental brasileira mais próximo da América Latina em todos os tempos (ou vice-versa: um disco de música latina sentida e interpretada sob a diversidade dos ritmos de cá). Não somente por reunir dois dos mais inventivos instrumentistas brasileiros, o gaúcho da fronteira Yamandu Costa e o paulista de São José do Rio Preto, mas de alma carioca, Paulo Moura -, ou por incluir temas de compositores de Argentina, Cuba, Venezuela, Chile e Brasil, mas pela própria linguagem que estabelece. Nunca o choro, o samba, o frevo estiveram tão parceiros do tango, da milonga, da habanera, só para citar alguns ritmos hermanos.

Mapeando a Latinoamerica musical, o violão de Yamandu e a clarineta de Paulo Moura partem da fronteira do Brasil com os pampas, dos argentinos Astor Piazzolla (Decaríssimo), Atahualpa Yupanqui (Duerme Negrito), Mariano Mores (Taquito Militar); sobem a Cordilheira e chegam ao Chile, de Violeta Parra (o clássico Gracias a la Vida, gravado por Elis Regina na d�cada de 70); abrangem a Valsa Venezuelana, de Antonio Lauro, cruzam a linha do Equador por México e Caribe (La Paloma, do espanhol Sebastian Yradier, composta no século XIX e considerada a primeira habanera) e chegam a Cuba por El Camino de la Vereda, famosa na gravação do Buena Vista Social Club.

Enxergo a América Latina como o grande potencial cultural do planeta, avisa Yamandu. O disco não tem a pretensão de preencher qualquer lacuna, mas acaba preenchendo. Devemos ficar ligados na riqueza da música de povos tão parecidos com o nosso. Somos próximos nos problemas e na arte, que vem do povo, compara.

Segundo Paulo Moura, o disco realiza um projeto há tempos acalentado: Sempre tive vontade de dedicar um disco a música latina, inserindo elementos da música brasileira. Conhecer Yamandu foi fundamental, pois ele conhece muitos temas, além de ser um desafio dialogar com seu virtuosismo. Fizemos tudo só com violão e clarineta, e o som adquiriu uma potência incrível, avalia Paulo.

Yamandu e Paulo Moura se conheceram em 2001, apresentados pelo bandolinista Armandinho. Pouco depois, Paulo convidou Yamandu para fazer o violão do show Eternamente Baden. Durante um ensaio na casa de Paulo, o gaúcho abriu seu leque de influências latinas. Ficaram de fazer um disco juntos. Entrou ano, saiu ano com direito a uma temporada para testar as músicas no Mistura Fina, no Rio – e o disco saiu. Chegando agora as lojas, via Biscoito Fino. A música-título é composição de Yamandu.
É um choro, mas com andamento em 6 por 8, típico das valsas venezuelanas. Dá um forte caráter latino a composição, que nem por isso deixa de ser bem brasileira, situa. Os temas latino-americanos foram basicamente apresentados por mim ao Paulo, e ele foi escolhendo o que queria gravar. Já o lado brasileiro foi quase todo sugerido por ele, conta o violonista.

O lado brasileiro inclui autores de sopro e cordas, de Severino Araújo (Chorinho da Aldeia) e Raul de Barros (Na Glória), a Jacob do Bandolim (Simplicidade) e João Pernambuco (Sons de Carrilhões), além de um pout-pourri com temas de Baden Powell.

Sempre fiquei admirado com essa distância entre o Brasil e os demais países latino-americanos. Já toquei na Rússia e Japão, mas raras vezes fui ao Chile ou Argentina. Espero que o disco ajude a intensificar esse diálogo, almeja Paulo Moura.

O propósito endossado pelo parceiro Yamandu: Pela minha formaçãoo, é absolutamente natural misturar os ritmos fronteiriços com o choro. Temos que acabar com essa história de os brasileiros desconhecerem completamente a música que se faz nos países vizinhos.

A visão que o disco propicia é reunir a influência negra na música do continente latino-americano a vertente ibérica do colonizador. Daí, el negro Del blanco e el blanco Del negro, arremata Paulo Moura.

Repertório:

01 El Negro del Blanco – 4m55s
02 Um Chorinho em Aldeia / Na Glória – 3m24s
03 Duerme Negrito – 4m00s
04 La Paloma – 4m35s
05 Valsa Venezuelana – 3m44s
06 Simplicidade – 4m58s
07 Sons de Carrilhões – 3m28s
08 Decaríssimo – 3m31s
09 Pot-Pourri – Samba Triste / Lapinha / Samba da Bênção / Pra que Chorar – 6m13s
10 De Camino a la Vereda – 2m31s
11 Gracias a la Vida – 3m05s
12 Taquito Militar – 3m20s

Ficha Técnica
Produção executiva – Halina Grynberg e Maria Celia Borges
Local de Gravação – Cia dos Técnicos (RJ),fake rolex 2003
Técnico de gravacao – Claudio Farias
Assistente – Raphael Ignacio
Estúdio de Mixagem – Cia Dos Técnicos (RJ)
Mixado por Mario Jorge Bruno
Estúdio de Masterização – Cia. dos Técnicos (RJ)
Engenheiro de Masterização – Ricardo Essucy
Gerência de Produção – Pedro Seiler
Assistente de produção – Mila Freitas

UMA REALIZAÇÃO BISCOITO FINO
Direção geral – Kati Almeida Braga
Direção artística – Olivia Hime